segunda-feira, 28 de Dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de Dezembro de 2009
segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009
Video da Neyma na SIC de Portugal- Ola Neyma
segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009
Video de Dama do Bling e De Ja Vu ao Vivo
Gabriel "Gaby" Albano Alfandega
Música e moda em Maputo

Roberto Isaías em concerto
O CONCEITUADO músico Roberto Isaías é o convidado desta semana no cardápio musical que é promovido regularmente no espaço sócio-cultural Bar dos Amigos, localizado no Bairro Magoanine-CMC. Esta é a primeira vez que Roberto Isaías, um dos jovens que integrou da banda Kapa Dêch, vai actuar naquele local, havendo, portanto, uma grande expectativa em torno deste concerto. No concerto do Bar dos Amigos, o autor de “Lalane” vai levar um naipe de amigos, com quem trabalha e toca, esperando-se que, para além dos habituais hinos dele, faça interpretação de músicas dos grandes nomes da arena africana e mundial. Uma das melhores vozes da sua geração, Roberto Isaías integrou o grupo Kapa Dêch, tendo sido um dos responsáveis pelo sucesso daquela banda, ao lado de nomes como Tony Django, Pilekas, Dodó, Zé Pires, Stélio e Almeida Ngoca. Depois de ter registado com o grupo os dois discos da banda, nomeadamente “Katchume” e “Tsuketane”, Roberto seguiu uma carreira a solo, tendo gravado o disco “Lalane”. Maputo, Quarta-Feira, 2 de Dezembro de 2009:: Notícias
TPM e Mambazo é sexta e sábado
terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Música africana para candidatos à fama
O Cine África vai juntar, este domingo, os dezoito concorrentes que até agora encantam a simpatia do público e desta forma permanecem na Academia do Fama.
Esta é a última gala em que seis concorrentes abandonam a academia de uma só vez, sendo que a partir da quinta edição será eliminado um concorrente de gala em gala.
No que diz respeito à organização, está tudo afinado para a gala que se aproxima.
A equipa de organização deste evento diz que os concorrentes são muito fortes, pelo que espera que haja muita adrenalina no palco do Cine.
Na última gala, o júri rendeu-se ao potencial dos candidatos à fama, com especial destaque para o talento feminino.
A gala que inicia a partir das 16h00 no Cine Teatro África, com transmissão em directo na Stv, é a quarta desta edição.
Para breve CD e DVD do grupo Makwaela dos TPM
O manager do grupo Lady Smith Black Mambazo, Romeo Quitsimani, acredita que este será um dos momentos marcantes na história dos 49 anos da sua existência. “Vamos dar o melhor para o povo moçambicano e aproveitar o momento para trocar experiência”, disse Quitsimane. Neste momento, o grupo Lady Smith Black Mambazo encontra-se na Inglaterra, sendo que, finais deste mês, estará na sua terra natal para preparar a vinda a Maputo. De Moçambique, estão convidados as cantoras Mingas, Gabriela, Jenny, Lizha James, Marlene e os grupos Moz Dreams e Coral Universal.
Kinani : Enriquecendo a magia dos corpos
MAPUTO foi palco de uma plataforma internacional de dança contemporânea, evento que contou com a participação de cerca de 100 artistas vindos de diferentes partes dos continentes africano e europeu. Denominada “Kinani”, esta plataforma, organizada pela Iodine Produções, serviu para lançar o nome de Moçambique no circuito internacional dos festivais de dança contemporânea, bem como honrar os seus organizadores por terem conseguido realizar um evento de dimensão internacional com engenho e arte. Em última instância é o nome de Moçambique que fica catapultado e é a nossa dança que se dignifica. Caiu o pano e rebentaram-se as garrafas de champanhe, o que virá depois?
Eliot Alex, um dos membros da organização, fala-nos sobre perspectivas futuras nestes excertos da entrevista à nós concedida, onde, sublinhando a satisfação generalizada por tudo ter corrido conforme. Mas, vamos à entrevista.
- Que ganhos ficaram entre nós com a realização deste evento?
- Primeiro, o mundo ficou a descobrir um grande festival de dança contemporânea em África, sobretudo a nível da África Austral. Os festivais de dança contemporânea do continente africano acontecem somente na África do Sul e no Senegal, para além dos festivais da Europa. Mas agora já temos mais uma referência em Moçambique, que é o “Kinani”. E todas as companhias de África e da Europa passaram a contar com esta plataforma de dança contemporânea.
- O que concorreu para a mediatização do “Kinani”?
- Nós iniciamos o trabalho muito cedo. Em Fevereiro começamos a fazer os preparativos e lançamos um programa de acções sobre o que nós pretendíamos. Elaboramos também uma página web para inscrições e cerca de 80 companhias e bailarinos a solo se inscreveram para esta plataforma. E a comissão artística composta por moçambicanos entendidos na matéria de dança, teve a função de júri, tendo feito a pré-selecção e a selecção dos que iriam participar no evento. E no acto da inscrição pedíamos também um vídeo e outros detalhes inerentes, o que facilitou o nosso trabalho e permitiu uma consulta mais ampla sobre o que era a nossa plataforma. E isso ajudou na divulgação do evento.
- Qual é a diferença entre a esta plataforma e a que exibia o Centro Cultural Franco-Moçambicano?
- Isso corresponde ao segundo ganho, pois nós nos apropriamos de um evento que era organizado até então pelo Centro Cultural Franco-Moçambicano e que apesar de actuar em Moçambique ele tem todo o suporte da França e actuava mais como uma instituição francesa. Agora, esta plataforma foi produzida e organizada por uma equipa essencialmente moçambicana e, sobretudo, composta por jovens que viram o assumir de um desafio. Claro que tivemos o apoio de organizações estrangeiras, embaixadas e agências de cooperação internacionais. Por outro lado, nas duas primeiras edições as plataformas de dança contemporânea não tinham nenhuma denominação e agora já tem um: “Kinani” que significa “Dancem”, em língua ronga.
- Esta é uma das variáveis que suporta a intenção de continuarem a trabalhar.
- Sim, se bem que também tivemos um terceiro ganho que foi a formação do público.
- Como assim?
- Nas edições anteriores notamos que era muito pouca a participação do público e ela resumia-se à presença dos interessados no evento que eram bailarinos, corpo técnico e, no máximo, familiares e alguns amantes de dança. Agora apostamos na formação do público, divulgando o próprio evento. Por outro lado, pegamos em alguns bailarinos, coreógrafos e técnicos e fomos dar palestras nas escolas. Baseamo-nos fundamentalmente nas escolas secundárias Francisco Manyanga e Josina Machel e trabalhamos com cerca de 500 estudantes. Eles faziam perguntas sobre, por exemplo, o que é e como que se faz a dança contemporânea, quais são os métodos de pesquisa. E para além das repostas que dávamos fazíamos pequenas frases, o que despertava interesse e motivação.
- Uma aposta também para o futuro…
- É. E estes estudantes vieram assistir os espectáculos e para isso fizemos 500 crachas para eles, pois alguns estiveram envolvidos em alguns sectores de apoio.
- Que mensagem vocês deixaram?
- A ideia é tentarmos tirar a concepção de que a dança contemporânea não é algo que vem de fora. Pela qualidade que os artistas moçambicanos imprimiram, a par dos outros participantes, ficou a ideia de que é possível expandirmos o conceito de dança contemporânea no nosso país. Em 2007 houve uma conferência na África do Sul sobre dança contemporânea africana e o fundamento de tudo foi que esta dança provém das raízes africanas, das danças tradicionais. Descobrimos que os movimentos corporais aplicados eram meramente tradicionais e que passavam para a dimensão contemporânea tornando-os mais visíveis. E nesta plataforma ficou assente que é possível fazermos dança contemporânea moçambicana e ficamos surpreendidos até com a performance e superação de alguns artistas nossos, o que também surpreendeu os coreógrafos estrangeiros.
- Quantos artistas participaram?
- Foram cerca de 100 artistas, entre coreógrafos, bailarinos e pessoal técnico.
- Certamente que há aspectos a melhorar, quais são?
- Há que melhorar sobretudo as condições técnicas e de produção. Para nós como Iodine Produções esta foi a nossa primeira intervenção porque as duas anteriores plataformas estiveram sob produção e organização do Centro Cultural Franco-Moçambicano. Nós não vemos as questões de produção em si, mas também das salas de espectáculos. Pensávamos que o Cine-Scala estava preparado para receber um espectáculo descobriu-se que não era possível, pois tem sérios problemas de electricidade. As salas estão envelhecidas e os equipamentos que nós temos são de alta tecnologia que às vezes estes espaços não os suportam. Temos aparelhos como dimer’s (uma espécie de misturadores), que são melhores que se podem encontrar, e no primeiro dia queimaram dois no Scala e no Cine-África.
- Que descalabro são as nossas salas?
- E o mais grave é que nós não temos as condições que os artistas habituados a montar e ou a trabalhar em grandes plataformas mundiais nos exigem. Se tens problemas básicos como a oscilação de luz numa sala, então é difícil teres nesse espaço artistas de grande nível mundial, por isso temos que apostar no melhoramento das nossas salas de espectáculos. Penso que uma das reflexões que devemos fazer é em relação às nossas salas de espectáculos porque elas não nos dignificam. Actualmente as melhores condições técnicas estão no Centro Cultural Franco-Moçambicano, que é um espaço muito bem equipado e onde qualquer grupo que fizer uma apresentação sai de lá satisfeito. Noutras salas só no primeiro de apresentações queimaram seis projectores, o que trouxe limitações na actuação dos grupos porque viram-se a ter que trabalhar com condições abaixo do seu nível. Há salas também que não têm condições de absorver luz em grande intensidade e quando é assim os quadros disparam danificando os equipamentos. Isso é triste.
- Que desafios se vos apresentam daqui em diante?
- A forma como esta plataforma decorreu nos deixou muito motivados, por temos muitas coisas planificadas. E já no próximo ano vamos começar a trabalhar para a edição de 2011, expandindo-nos para as províncias, uma vez que não queremos somente ficar na cidade de Maputo.
- Para onde vão?
- Numa primeira fase trabalharemos nas cidades de Chimoio (Manica), Beira (Sofala) e Quelimane (Zambézia). Temos coreógrafos com capacidade para trabalhar em diferentes ambientes e queremos ver se podemos enviá-los em regime de comissões para as províncias e fazerem formações lá.
- Até que ponto isso será sustentável?
- A ideia é antes da grande plataforma internacional nós termos uma realizar interna antes da grande plataforma internacional para vermos se podemos ter um a dois grupos do nosso país nesta festa.
- Então, é um “Kinani” interno. Só para grupos nacionais?
- Os nossos coreógrafos vão fazer formação em dança contemporânea nesses pontos do país e depois levaremos os grupos escolhidos para um festival de dança que poderá acontecer, em princípio, na cidade da Beira, por ser o centro do país e também pelas facilidades existentes em deslocar os grupos. E esses grupos juntos farão uma exibição donde serão escolhidos os representantes do nosso país. Mas estas realizações continuarão dependentes dos financiamentos que conseguiremos, porém, a aposta é essa.
- Uma das vantagens deste tipo de encontros é o intercâmbio entre os artistas envolvidos na acção. O que se conseguiu?
- Nós fizemos algo que funcionou muito bem, pois organizamos o que se chama “Festival Paralelo” que eram acções que decorriam no decurso do festival. Estas actividades decorriam nas instalações do Museu Nacional de Arte e juntava todos os artistas participantes no “Kinani”. E para além de as refeições serem passadas no mesmo local e à mesma hora entre todos nós, no local, que se chamava ponto de encontro, tínhamos uma banda de música a tocar, um grupo de dança tradicional e ainda um DJ. O público juntava-se também a nós, comprando bilhetes e assim nascia o intercâmbio entre os artistas estrangeiros entre si, entre eles e os moçambicanos e também, na última instância, entre todos os artistas, a organização e o público. E, diferentemente do que aconteceu nos encontros anteriores, onde os artistas estrangeiros chegavam e ficavam entre três a quatro dias, que eram os dias suficientes para a chegada, ensaio do palco, actuação e um dia de descanso e depois regressavam, nós juntamos todos os artistas no mesmo hotel e decidimos que deviam ficar até ao fim do evento, o que fez com que os artistas assistissem peças uns dos outros, permitindo aflorar o diálogo e ampliando os seus próprios horizontes artísticos.
- As oficinas que tiveram lugar constituíram também uma mais-valia e serviram de suporte da própria plataforma.
- É verdade. Por exemplo, houve exposições de fotografia, até hoje patentes no Centro Cultural Franco-Moçambicano e tínhamos música ao vivo com vários grupos musicais. Fizemos igualmente workshop’s de iluminação, onde conseguimos trazer nove técnicos de iluminação de vários países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), sendo quatro da África do Sul e os restantes da Ilha Reunião, Madagáscar e moçambicanos, que foram orientados por um técnico suíço. Durante o workshop eles foram conhecer as salas de espectáculos, trabalharam sobre elas, observando as condições técnicas. E quando iniciou a plataforma eles é que fizeram a operação técnica dos 32 espectáculos ao longo do festival. Posteriormente fizemos um workshop de dança contemporânea, orientado por Vera Santos, que é uma coreógrafa portuguesa e ainda uma formação dos jornalistas culturais, que esteve sob direcção de Adrien Sichel, jornalista do jornal sul-africano The Star. Adrien é também crítica de arte. Foram muitas coisas que aconteceram e que nos ajudaram a alcançar aquilo que eram os nossos objectivos.
- E também ganharam dinheiro…
- Nós ficamos surpreendidos com o comportamento do público, pois ele correspondeu, talvez por termos feito uma grande divulgação do evento. Durante a semana as salas estavam acima da metade, mas aos fins-de-semana tínhamos salas cheias. Há espectáculos que aconteciam nos finais de semana às 16, 18 e até 20 ou 21 horas, mas o público lá estava, comprando ingressos, o que nos surpreendeu positivamente. É por isso que dizemos que o balanço é positivo.
- Francisco Manjate
MAPUTO foi palco de uma plataforma internacional de dança contemporânea, evento que contou com a participação de cerca de 100 artistas vindos de diferentes partes dos continentes africano e europeu. Denominada “Kinani”, esta plataforma, organizada pela Iodine Produções, serviu para lançar o nome de Moçambique no circuito internacional dos festivais de dança contemporânea, bem como honrar os seus organizadores por terem conseguido realizar um evento de dimensão internacional com engenho e arte. Em última instância é o nome de Moçambique que fica catapultado e é a nossa dança que se dignifica. Caiu o pano e rebentaram-se as garrafas de champanhe, o que virá depois?
Eliot Alex, um dos membros da organização, fala-nos sobre perspectivas futuras nestes excertos da entrevista à nós concedida, onde, sublinhando a satisfação generalizada por tudo ter corrido conforme. Mas, vamos à entrevista.
- Que ganhos ficaram entre nós com a realização deste evento?
- Primeiro, o mundo ficou a descobrir um grande festival de dança contemporânea em África, sobretudo a nível da África Austral. Os festivais de dança contemporânea do continente africano acontecem somente na África do Sul e no Senegal, para além dos festivais da Europa. Mas agora já temos mais uma referência em Moçambique, que é o “Kinani”. E todas as companhias de África e da Europa passaram a contar com esta plataforma de dança contemporânea.
- O que concorreu para a mediatização do “Kinani”?
- Nós iniciamos o trabalho muito cedo. Em Fevereiro começamos a fazer os preparativos e lançamos um programa de acções sobre o que nós pretendíamos. Elaboramos também uma página web para inscrições e cerca de 80 companhias e bailarinos a solo se inscreveram para esta plataforma. E a comissão artística composta por moçambicanos entendidos na matéria de dança, teve a função de júri, tendo feito a pré-selecção e a selecção dos que iriam participar no evento. E no acto da inscrição pedíamos também um vídeo e outros detalhes inerentes, o que facilitou o nosso trabalho e permitiu uma consulta mais ampla sobre o que era a nossa plataforma. E isso ajudou na divulgação do evento.
- Qual é a diferença entre a esta plataforma e a que exibia o Centro Cultural Franco-Moçambicano?
- Isso corresponde ao segundo ganho, pois nós nos apropriamos de um evento que era organizado até então pelo Centro Cultural Franco-Moçambicano e que apesar de actuar em Moçambique ele tem todo o suporte da França e actuava mais como uma instituição francesa. Agora, esta plataforma foi produzida e organizada por uma equipa essencialmente moçambicana e, sobretudo, composta por jovens que viram o assumir de um desafio. Claro que tivemos o apoio de organizações estrangeiras, embaixadas e agências de cooperação internacionais. Por outro lado, nas duas primeiras edições as plataformas de dança contemporânea não tinham nenhuma denominação e agora já tem um: “Kinani” que significa “Dancem”, em língua ronga.
- Esta é uma das variáveis que suporta a intenção de continuarem a trabalhar.
- Sim, se bem que também tivemos um terceiro ganho que foi a formação do público.
- Como assim?
- Nas edições anteriores notamos que era muito pouca a participação do público e ela resumia-se à presença dos interessados no evento que eram bailarinos, corpo técnico e, no máximo, familiares e alguns amantes de dança. Agora apostamos na formação do público, divulgando o próprio evento. Por outro lado, pegamos em alguns bailarinos, coreógrafos e técnicos e fomos dar palestras nas escolas. Baseamo-nos fundamentalmente nas escolas secundárias Francisco Manyanga e Josina Machel e trabalhamos com cerca de 500 estudantes. Eles faziam perguntas sobre, por exemplo, o que é e como que se faz a dança contemporânea, quais são os métodos de pesquisa. E para além das repostas que dávamos fazíamos pequenas frases, o que despertava interesse e motivação.
- Uma aposta também para o futuro…
- É. E estes estudantes vieram assistir os espectáculos e para isso fizemos 500 crachas para eles, pois alguns estiveram envolvidos em alguns sectores de apoio.
- Que mensagem vocês deixaram?
- A ideia é tentarmos tirar a concepção de que a dança contemporânea não é algo que vem de fora. Pela qualidade que os artistas moçambicanos imprimiram, a par dos outros participantes, ficou a ideia de que é possível expandirmos o conceito de dança contemporânea no nosso país. Em 2007 houve uma conferência na África do Sul sobre dança contemporânea africana e o fundamento de tudo foi que esta dança provém das raízes africanas, das danças tradicionais. Descobrimos que os movimentos corporais aplicados eram meramente tradicionais e que passavam para a dimensão contemporânea tornando-os mais visíveis. E nesta plataforma ficou assente que é possível fazermos dança contemporânea moçambicana e ficamos surpreendidos até com a performance e superação de alguns artistas nossos, o que também surpreendeu os coreógrafos estrangeiros.
- Quantos artistas participaram?
- Foram cerca de 100 artistas, entre coreógrafos, bailarinos e pessoal técnico.
- Certamente que há aspectos a melhorar, quais são?
- Há que melhorar sobretudo as condições técnicas e de produção. Para nós como Iodine Produções esta foi a nossa primeira intervenção porque as duas anteriores plataformas estiveram sob produção e organização do Centro Cultural Franco-Moçambicano. Nós não vemos as questões de produção em si, mas também das salas de espectáculos. Pensávamos que o Cine-Scala estava preparado para receber um espectáculo descobriu-se que não era possível, pois tem sérios problemas de electricidade. As salas estão envelhecidas e os equipamentos que nós temos são de alta tecnologia que às vezes estes espaços não os suportam. Temos aparelhos como dimer’s (uma espécie de misturadores), que são melhores que se podem encontrar, e no primeiro dia queimaram dois no Scala e no Cine-África.
- Que descalabro são as nossas salas?
- E o mais grave é que nós não temos as condições que os artistas habituados a montar e ou a trabalhar em grandes plataformas mundiais nos exigem. Se tens problemas básicos como a oscilação de luz numa sala, então é difícil teres nesse espaço artistas de grande nível mundial, por isso temos que apostar no melhoramento das nossas salas de espectáculos. Penso que uma das reflexões que devemos fazer é em relação às nossas salas de espectáculos porque elas não nos dignificam. Actualmente as melhores condições técnicas estão no Centro Cultural Franco-Moçambicano, que é um espaço muito bem equipado e onde qualquer grupo que fizer uma apresentação sai de lá satisfeito. Noutras salas só no primeiro de apresentações queimaram seis projectores, o que trouxe limitações na actuação dos grupos porque viram-se a ter que trabalhar com condições abaixo do seu nível. Há salas também que não têm condições de absorver luz em grande intensidade e quando é assim os quadros disparam danificando os equipamentos. Isso é triste.
- Que desafios se vos apresentam daqui em diante?
- A forma como esta plataforma decorreu nos deixou muito motivados, por temos muitas coisas planificadas. E já no próximo ano vamos começar a trabalhar para a edição de 2011, expandindo-nos para as províncias, uma vez que não queremos somente ficar na cidade de Maputo.
- Para onde vão?
- Numa primeira fase trabalharemos nas cidades de Chimoio (Manica), Beira (Sofala) e Quelimane (Zambézia). Temos coreógrafos com capacidade para trabalhar em diferentes ambientes e queremos ver se podemos enviá-los em regime de comissões para as províncias e fazerem formações lá.
- Até que ponto isso será sustentável?
- A ideia é antes da grande plataforma internacional nós termos uma realizar interna antes da grande plataforma internacional para vermos se podemos ter um a dois grupos do nosso país nesta festa.
- Então, é um “Kinani” interno. Só para grupos nacionais?
- Os nossos coreógrafos vão fazer formação em dança contemporânea nesses pontos do país e depois levaremos os grupos escolhidos para um festival de dança que poderá acontecer, em princípio, na cidade da Beira, por ser o centro do país e também pelas facilidades existentes em deslocar os grupos. E esses grupos juntos farão uma exibição donde serão escolhidos os representantes do nosso país. Mas estas realizações continuarão dependentes dos financiamentos que conseguiremos, porém, a aposta é essa.
- Uma das vantagens deste tipo de encontros é o intercâmbio entre os artistas envolvidos na acção. O que se conseguiu?
- Nós fizemos algo que funcionou muito bem, pois organizamos o que se chama “Festival Paralelo” que eram acções que decorriam no decurso do festival. Estas actividades decorriam nas instalações do Museu Nacional de Arte e juntava todos os artistas participantes no “Kinani”. E para além de as refeições serem passadas no mesmo local e à mesma hora entre todos nós, no local, que se chamava ponto de encontro, tínhamos uma banda de música a tocar, um grupo de dança tradicional e ainda um DJ. O público juntava-se também a nós, comprando bilhetes e assim nascia o intercâmbio entre os artistas estrangeiros entre si, entre eles e os moçambicanos e também, na última instância, entre todos os artistas, a organização e o público. E, diferentemente do que aconteceu nos encontros anteriores, onde os artistas estrangeiros chegavam e ficavam entre três a quatro dias, que eram os dias suficientes para a chegada, ensaio do palco, actuação e um dia de descanso e depois regressavam, nós juntamos todos os artistas no mesmo hotel e decidimos que deviam ficar até ao fim do evento, o que fez com que os artistas assistissem peças uns dos outros, permitindo aflorar o diálogo e ampliando os seus próprios horizontes artísticos.
- As oficinas que tiveram lugar constituíram também uma mais-valia e serviram de suporte da própria plataforma.
- É verdade. Por exemplo, houve exposições de fotografia, até hoje patentes no Centro Cultural Franco-Moçambicano e tínhamos música ao vivo com vários grupos musicais. Fizemos igualmente workshop’s de iluminação, onde conseguimos trazer nove técnicos de iluminação de vários países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), sendo quatro da África do Sul e os restantes da Ilha Reunião, Madagáscar e moçambicanos, que foram orientados por um técnico suíço. Durante o workshop eles foram conhecer as salas de espectáculos, trabalharam sobre elas, observando as condições técnicas. E quando iniciou a plataforma eles é que fizeram a operação técnica dos 32 espectáculos ao longo do festival. Posteriormente fizemos um workshop de dança contemporânea, orientado por Vera Santos, que é uma coreógrafa portuguesa e ainda uma formação dos jornalistas culturais, que esteve sob direcção de Adrien Sichel, jornalista do jornal sul-africano The Star. Adrien é também crítica de arte. Foram muitas coisas que aconteceram e que nos ajudaram a alcançar aquilo que eram os nossos objectivos.
- E também ganharam dinheiro…
- Nós ficamos surpreendidos com o comportamento do público, pois ele correspondeu, talvez por termos feito uma grande divulgação do evento. Durante a semana as salas estavam acima da metade, mas aos fins-de-semana tínhamos salas cheias. Há espectáculos que aconteciam nos finais de semana às 16, 18 e até 20 ou 21 horas, mas o público lá estava, comprando ingressos, o que nos surpreendeu positivamente. É por isso que dizemos que o balanço é positivo.
- Francisco Manjate
segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
Uma “Terezinha” para Xidiminguana
“Criança que não chora, não mama”, diz o velho adágio popular. O conceituado músico moçambicano Domingos Honwana - o célebre Xidiminguana - sabe disso. Sabe e até pode testemunhar como essa velha máxima é também válida para os adultos. Naturalmente que entre os adultos, há choros e choros...
Havia vários meses que Xidiminguana vinha “chorando” por uma guitarra para fazer o que ele mais gosta: tocar e encantar. Já várias guitarras envelheceram em suas mãos ao longo de uma carreira que já começa a espreitar a longevidade. Num país como o nosso, cheio de carências, não é coisa fácil um músico ter uma guitarra própria! Andam muitos guitarristas exímios por este país fora, que não se podem orgulhar de ter uma guitarra. Quando têm uma para tocar, é emprestada, e ai quase sempre não dá para “se libertarem”.
Xidiminguana conhece essa experiência de saber e querer tocar, mas não poder fazê-lo porque não há guitarra disponível. Cenários como este, amordaçaram por diversas vezes o talento de Xidiminguana, até que decidiu partilhar esta sua preocupação com alguém que acreditava que o poderia ajudar.
Tudo começa quando a Autoridade Tributária decide promover uma campanha de divulgação do imposto pelo país fora, uma iniciativa que além de envolver os órgãos de comunicação social, associou alguns músicos escolhidos a dedo, para com o seu talento de artistas ajudarem a fazer chegar mais longe a mensagem sobre a importância de os cidadãos conhecerem e pagarem impostos. Um dos critérios de escolha é a abrangência das línguas usadas por tais artistas nas suas canções. Bem pensado, melhor feito!
Assim mesmo, na região norte foram escolhidos dois músicos: Aly Faque e Júlia Mwito. Na zona centro, os eleitos são Madala e Nyeleti e, no sul, Anita Macuácua e Xidiminguana. Um dos resultados deste acordo é a amizade que nasceu e que floresce entre os artistas e a AT, que agora olham para cada um daqueles músicos não apenas como agentes de entretenimento, mas como parceiros na educação para a cidadania fiscal.
Mas os artistas têm os seus problemas. Têm as suas carências. Limitações. Materiais e financeiras. Uns têm mais do que os outros, mas todos têm dificuldades. Xidiminguana também! Foi então que, certo dia, Xidiminguana apresentou a sua preocupação aos seus amigos da AT. Pediu lhes que fizessem alguma coisa para que ele pudesse ter uma guitarra. Nova. Sua. Para não ter mais que pedir emprestado e ver se forçado a interromper as músicas a meio da interpretação...
O apelo de Xidiminguana foi ouvido. Os funcionários da AT assumiram a preocupação do seus parceiro como sua também. Pediram que Xidiminguana fosse ao mercado identificar a guitarra dos seus sonhos. Depois começaram a contribuir. Cada um à medida das suas possibilidades. Afinal, “grão a grão, a galinha enche o papo...”.
Xidiminguana foi ao mercado e escolheu uma guitarra. Escolheu uma guitarra nova. Aquela era uma oportunidade que os amigos lhe davam. Não podia desperdiçar, muito menos trair os seus desejos. Escolheu bem!
Na semana passada, Xidiminguana foi convidado de honra à reunião do Conselho Superior Tributário, com direito a um espaço predefinido no programa do evento. O propósito era entregar ao artista, a guitarra comprada pelos seus amigos da AT.
Igual a si mesmo, Xidiminguana não perdeu tempo. Assim que recebeu a oferta das mãos do presidente da AT, Rosário Fernandes, puxou por uma cadeira para ensaiar uns dedilhados. Para deixar a marca, escolheu um clássico do seu vasto repertório musical: “ Vadla Vamutsona Mamane Bobiyane” (Não dão de comer à mamã Bobiyane). Assim mesmo, Xidiminguana levou todos os presentes na sala a uma viagem imaginária até Chibuto, ao som das cordas da sua nova companheira, que não tardou em baptizá-la pelo nome de “Terezinha”.
“ É assim mesmo na minha tradição. Não se escolhe mulher para o filho. Ele é quem escolhe! E foi isso que eu fiz. Escolhi pessoalmente a minha mulher. Esta é a minha nova mulher! Obrigado, meus amigos!”, confessou no seu inconfundível changana vernáculo!
Bom amigo que é, Xidiminguana prometeu para breve a publicação de uma música especialmente dedicada aos seus amigos da AT, a quem pretende agradecer publicamente. Cá por nós, eles fizeram por merecer!.- Júlio Manjate
Dama do Bling: Facebook
Declarações de um apaixonado – Hermínio
A primeira vez q o ouvi foi no coro de uma daqelas canções de “enaltecimento do q é nosso”, de MC Roger. Acho q é aqela sobre a EDM. Será q foi Roger q descobriu Hermínio? Não será esta a verdadeira vocação de MC Roger? Oxalá descubra talentos nesse trabalho q anda a fazer com crianças desfavorecidas...
CD Amor & Drama de G2 a venda na Garagem
Costa Neto Visitou Big Brother
O músico moçambicano Costa Neto procede ao lançamento do seu disco hoje, sexta-feira, no espaço Big Brother.
Intitulado Mandjolo (Nome da localidade onde o músico nasceu, no distrito de Matutuíne), o disco é uma miscelânea de ritmos incorporando a Marrabenta aos ritmos portugueses.
Para o concerto do lançamento, Costa Neto terá como convidados os músicos Stewart Sukuma, Wazimbo, Roberto Chitsondzo, David Macuácua, entre outros. O concerto é esperado com muita expectativa visto juntar no mesmo palco nomes sonantes da música moçambicana. A actuação de Costa Neto, radicado em Portugal, será o reviver dos palcos moçambicanos em grande estilo.
DIÁRIO DE NOTÍCIAS – 09.10.2009
Leia Mais…Mingas, a perola do Indico.

Jimmy Dludlu: O pólo do Joy of Jazz
JIMMY Dludlu é, definitivamente, um artista de classe mundial. Provou-o no fim-de-semana, em Joanesburgo, durante a edição deste ano do Standard Bank Joy of Jazz, festival que há dez anos vem juntando estrelas locais e internacionais, com predominância para norte-americanas. Os americanos estiveram mesmo em peso, numa lista de que – só para citar alguns –, constavam os nomes de Norman Brown (que actuou na Páscoa em Maputo no II Moçambique Jazz Festival), Chieli Minnuchi, Phill Perry ou Marion Meadows. Mas foi o guitarrista do Chamanculo quem mais agradou a audiência que afluiu em grande número aos quatro palcos desta celebração do jazz. Jimmy actuou na noite de sexta-feira, para uma audiência que podemos estimar em 500 pessoas. Parte considerável desse público preferiu abandonar as apresentações dos norte-americanos Chieli Minnuchi, Arlee Leonard e Ingrid Jensen (vocalista pouco conhecida dos públicos moçambicano e sul-africano), que decorriam em simultâneo.
Fica o eco da sua voz, vovo Amélia!
É verdade que há muito que vovo Amélia não gozava de uma saúde física para percorrer os sinuosos caminhos da música, sobretudo aqui em Moçambique, mas seu sonho foi sempre de registar o pouco da graça que Deus lhe deu. Tinha energia para sonhar e acreditar que pese os problemas de saúde associados à sua avançada idade, muito ainda tinha por oferecer à música moçambicana. Possuía um coração muito forte, uma imensa fé, daí a sua predisposição para entrar no estúdio e gravar mais um disco. Descoberta para o grande público por Eldorado Dabula, no programa “Keti-Keti” da Rádio Clube (actual Rádio Moçambique) lá para década de 60. Mas antes de aparecer naquele programa Amélia Moaina, contou numa das conversas, que começou a cantar ainda em tenra idade, por influência do pai que foi maestro da Igreja Missão Suíça, actual Igreja Presbiteriana de Moçambique e da mãe. “Minha mãe também tinha uma voz linda, mais linda que a minha”, dizia sempre Amélia Moiana. Eldorado Dabula catapultou Amélia Moiana para o grupo Djambo. Foram momentos de glória infelizmente desconhecidos por muitos, dadas as contingências da época. Quando a notícia da sua morte me chegou aos ouvidos, confesso que fiquei meio desnorteado a final era uma pessoa que gostava tanto. Não chorei por que logo de seguida veio à memória os grandes momentos de convívio que tivemos quando preparávamos o único grande espectáculo de palco que realizou nas últimas décadas. Veio aquela majestosa actuação em Abril de 2003, no Centro Cultural Franco-Moçambicano. Acompanhada por jovens que integravam a Banda Azul (grupo que carinhosamente ela tratava por Bafana Bafana) nomeadamente Raimundo (piano), Sacres (baixo), Stélio (bateria), Jimmy (guitarra) e ainda as vozes de Cadinho, Ruth e Saugina. Só quem esteve no Franco-Moçambicano pode comentar e afirmar com viva voz que Moçambique perdeu uma grande voz escondida ao longo do tempo porque o sistema assim o quis. Não chorei por que começou a coar nos meus ouvidos as canções “Moya Wanga”, “Lwandle”, “A Mintirho”, “Amiga”, “Lirandzo”, “A Va Khale”, e a inigualável “Swilo swa missava”. Moçambique perdeu uma grande voz porque os caminhos para a produção de arte e cultura no geral, e da música em particular, são sinuosos, mas melhor dizendo, são mesquinhos. Ninguém pode explicar por que nunca se abriram as portas para Amélia Moiana gravar as suas canções que não eram poucas. Não se abriram porque o nome, não o trabalho dela, pouco dizia às pessoas que estão a frente desses processos. Pura e simplesmente por isso, porque pelo trabalho são poucos os músicos moçambicanos com sua estirpe. No último espectáculo de palco que ofereceu há seis, no Centro Cultural Franco-Moçambicano, Amélia Moiana demonstrou que mesmo aos 72 anos (na altura) era de uma “senhora” voz, cultivada e escondida atrás do gospel. Cantava a marrabenta, jazz, blues, tudo que o espírito impunha com uma mestria somente sua. “Swilo swa missava swa khaluta” não mentiu Amélia Moiana, estamos de passagem e neste momento de dor e consternação, pouco nos resta senão tirar chapéu e curvar perante a sua voz que vai continuar a coar nos nossos ouvidos.
segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
Vodacom e Moreira Chonguiça anunciam parceria
A empresa Vodacom Moçambique anunciou hoje, em Maputo, um acordo com o músico moçambicano Moreira Chonguiça que, de entre vários aspectos, preconiza a oferta de espectáculos ao público nacional.
Artistas homenageiam Miriam Makeba em Paris
Intervirão ainda no quadro deste evento intitulado ""ElaS" e dedicado às mulheres, um coro sul-africano e um guitarrista Vusi Mahlasela, ex-membro do grupo de Miriam Makeba.
segunda-feira, 14 de Setembro de 2009
MINGAS: “Mamana” no canto da (verdadeira) diva

Timbilu to banana loku ndzi dzimuka wene mamana
Lava hinkwavo valanguiwike hi mbilu yanga
Akwaku ava lunganga mamana
Oh hiyo io io io io
Niza ni tsama lani ni siku lani niya tsama le
Nani navela ku zhulissa moya wanga mamana
Oh hiyo io io io io
Oh mamana
Kassi udjula niku yini mamana
Swaku nienctha hikuni sossotela swanga nova ngwana
Swaku nienctha hikuni possita, swanga nova papela
Swaku yientcha hikuni chavissa swanga nova mpahla mamana
Nili vona hi wene’/nili vona hi wene/nili vona hi wene mamana
Uma voz fresca, intima, de um existir autêntico, explicita, permanente, sólida, que sabe tirar partido de suas falas.
Bom, dirá o amigo leitor que é muita poesia para classificar uma única voz e concordo.
Hesitei muito para escrever sobre Mingas, pois não reconheço em mim propriedade para falar de uma poetisa de rigor como ela.
Atravessam-me agora arrepios: mas porquê comecei? Agora já não tem volta: devo levar esta tarefa até ao fim.
Numa sociedade como a nossa, exageradamente simplista nas análises e nas categorizações em que qualquer cantora é considerada e/ou se considera diva, me questiono o que será a Mingas? A tensão que a resposta carrega impede-me de dizer metade do que ela seja porque, tal como nas primeiras palavras em que a tentei descrever, dirão: poesia.
Hoje, mais do que a tentativa de dizer quem é a Mingas, escolhi uma canção de nomeação cuja carícia de voz me empolga; trata-se de “Mamana”. Na verdade, esta canção foi escrita pelo não menos fenomenal Zeca Tcheco, o genial baterista da música moçambicana. Mingas fez a música, a partir dessa letra.
“Mamana” simboliza o eterno conflito das mães quererem mandar nos amores das suas filhas e filhos. Em “Mamana”, a voz e a melodia de Mingas questionam: o que queres que eu faça,minha mãe? (Khasi u djula niku yini, mamana?).
Este questionamento põe a descoberto um pássaro que se quer libertar mas, ao mesmo, sente que não está pronto para o voo. É a voz de uma filha que quer contestar, mas sabe que deve ouvir a voz da razão: a voz materna.
Este questionamento é a queda de uma gota de quem reclama o seu próprio espaço, o livre arbítrio, um visível existir que a mãe a nega, tudo porque sua filha e, logo, com dever de ouvir sua voz.
“O que queres que eu faça, mãe; porque, mesmo que encontre quem me agrada, meu coração bate quando me lembro de ti (“hambi no vona…”).
Um dos traços mais evidentes da sociedade e época em que cresceu Mingas (falo da sua juventude), tem a ver com a valorização extrema da figura materna que encarna(va) toda a sabedoria, experiência, uma imagem dominante do social, onde as filhas tinham pouco ou nada a dizer na escolha das suas relações afectivas, na verdade, a mulher aqui não podia tomar posse do seu prazer, tão-somente reclamar o “usufruto do seu corpo” e o seu orgasmo. A tradição confinava-a a mera servidora.
Mas esta mulher que Mingas retrata já tenta, embora não contrariando, questionar esta sociedade quando diz a mãe que “chegas ao ponto de me atiçar como se fosse cão, me envias como de papel me tratasse, e me vendes, como se de roupa me tratasse!”
Ora, não há dúvidas que esta música é a negação da perspectiva redutora da mulher, da tendência super protectora das mães, dos postulados de extremos em nome do bem-estar dos filhos quando, muitas vezes, o bem-estar pode evocar abismo.
O que queres que eu faça, mãe, se meu coração me diz o contrário?
Bom, Mingas não a lança explicitamente esta pergunta, mas o seu canto tange a isso, porque os seus olhos, seu coração, seu desejo irreprimível de mulher, a indica uma direcção, quando a mãe, quer que ela vá noutra.
Feliz ou infelizmente, grosso de mulheres da geração da Mingas, aceita todos os opróbrios ao lado de um homem que as espezinha por completo, isto porque as mães, mesmo que violentadas as convencem de que aqueles são seus homens, quando na verdade são os homens que as mães escolheram para elas.
Este sentimento, está patente na música quando a Mingas, segura de si, diz à mãe “Nili vona hi wene/nili vona hi wene/nili vona hi wene mamana…”, no sentido de que olhe o exemplo que és mãe, achas-te mulher feliz? Agiu certo a sua mãe em escolher o marido para si? A sua vida de prantos demonstra o contrário, agora; como podes querer o mesmo para mim?
Mamane é um hino contra a repressividade e autoritarismo desse tempo em que as mães ordenavam e as filhas, cegamente, obedeciam numa situação que em nada que se parece com o modernismo que se vive hoje, onde o sonho, a ideia do sexo descomprometido, a ferrada romântica, a ideia de liberdade, não deixam que os pais opinem, tanto mais mandarem no amor dos filhos.
Bom fica aqui em “Mamana” a ideia de oscilação entre dois períodos; um de autoritarismo, mas que mantinha coeso a família, outro de liberdade que hoje se vive mas que a fragiliza.
Mas talvez o mais importante nesta música seja para além do desabafo da filha para com a sua mãe, a forma sofrida com que a dona a trata. De um timbre que impõe luta, Mingas vai fazendo desta, dor das demais mulheres, vai celebrando também sua dor com o canto, e traída pelo sopro majestoso do Matchote não se contém e chora, mesmo que no silêncio, mesmo quando tem certeza que as lágrimas vão rolar peito dentro, mesmo que num beco sem saida; “yio, hio, yó yó yó, yo yo mamane/kasse u djula niku yini mamana” (o que queres que eu faça, mãe?).
Mingas é sim uma diva, uma verdadeira diva, de têmpera rija, de encanto no canto, meu rouxinol em noites sofridas, meu alento quando fustigado o tímpano por pseudo-divas.
- AMOSSE MACAMO
KALIZA: Quase de boleia, atrás de um sonho!
Ainda sem título, Kaliza diz que o disco está a ser preparado para quem tem bom ouvido e bom gosto. Em entrevista ao nosso jornal, Kaliza revelou que a gravação do seu primeiro CD é a realização de um sonho não só seu, mas dos Calianos, do povo de Tete e todos os moçambicanos que se interessam pelo seu trabalho. Vindo de uma família de músicos, Kaliza será o primeiro a ter um disco, que é, ao mesmo tempo, uma homenagem ao pai: Miguel Torres Caliano. Aliás, ele revela que a inclusão de um tema cantado em Ronga, língua sobre a qual sempre teve uma enorme paixão, desde que soube que o pai era de Maputo, está na senda desse tributo. Estou a realizar gradualmente o sonho dos Calianos, as portas vão se abrindo segundo a música que soa no meu ouvido. Não sou assim muito ambicioso. Os caminhos na minha vida abrem-se através da própria música. Aquilo que ainda não consegui granjear na música é por minha culpa. Se divulgar as minhas músicas vou alcançar o meu desejo. Por isso, rezo a Deus pai para que este álbum a solo saia e chegue ao público para todos saberem o que vem de Tete, que misturas podemos ter de um maronga e uma manyugué que sou eu. Nascido num meio de música e de músicos, Kaliza diz que foi “bebendo” sons variados, muitas das vezes sem dar conta, mas o facto é que de repente em 1994, imitava com alguma mestria Roberto Carlos e outros ídolos difundidos pela emissora da Rádio Moçambique em Tete. Mas terá sido num concurso de busca de talentos daquela estação emissora que começou a encarar as coisas com outra visão. Em 1994 participei numa espécie do programa “sabadão”, no Estúdio 333, em Tete, realizado por Amarildo Romão, actualmente jornalista da Televisão de Moçambique (TVM). Estava bem classificado, mas infelizmente o concurso não foi até ao fim porque houve corte de energia. Face à surpresa e qualidade da minha actuação fui convidado a participar no fim-de-semana num programa do PSI Jeito. Dessa participação Kaliza diz ter recebido “um puxão de orelhas” do seu irmão mais velho, o Ismael (já falecido) que não gostou de ver e saber que o “miúdo” estava a enveredar pela música. Quando chamaram meu nome, meu irmão ficou zangado. Não gostou, tinha medo que eu seguisse a carreira de músico, uma vez que isso, no nosso contexto, não oferece grandes oportunidades na vida, em termos de “rendimentos materiais”. Entretanto, e contra a vontade do irmão, no ano seguinte (1995), o jovem Amarildo Romão promove o concurso Miss-Tete e o “miúdo” é chamado de novo a cantar no cinema Kudeca onde também ia actuar a banda do irmão. Aqui instala-se de novo o conflito entre os Caliano. Kaliza tinha que ser acompanhado pela banda do seu irmão Ismael, mas este fincou pé. Não aceitou que eu ensaiasse com a sua banda. Mas o “bichinho” da música já estava nas entranhas de Kaliza e com a ajuda de um amigo preparou uma música com base numa instrumental sul-africana e foi se apresentar no Kudeca, superlotado. Estavam lá mais de duas mil pessoas. E, contra todas as expectativas, Ismael e sua banda não tocaram porque o equipamento de som não estava à altura. A salvação do espectáculo foi a minha actuação. Quando entrei comecei a cantar e as pessoas esqueceram que havia problema de som. Virei uma estrela, todo o mundo só falava da minha actuação e o Amarildo Romão convidou-me a gravar a música na rádio para fazer publicidade da finalíssima do Miss-Tete. Dessa fabulosa actuação, Kaliza ganhou do proprietário da discoteca Cigana, em Tete, um teclado, duas colunas, um amplificador e um microfone. Era o início de uma carreira. Autodidacta, Kaliza aprendeu sozinho a tocar teclado. E fazendo jus ao dito popular: “contra factos não argumentos”, Ismael acabaria se rendendo às evidências, começando a apoiar o seu irmãozinho, dando-lhe algumas “dicas”. Juntamo-nos e criamos uma banda com alguns músicos locais. Estava eu, o Bruno, Zélio, e o Alfredo. Éramos todos irmãos e o Ismael é que era o manager da banda. Tocávamos em casamentos, festas de aniversário, isso já em 1996. A banda chamava-se Armagedon (Guerra Santa). Era uma banda que animava os ambientes sociais da cidade de Tete. O SONHO DE CD O sonho de gravar um “CD” data de 1997, período que Kaliza estimulado pelo surgimento das editoras VIDISCO e ORION decide abandonar a cidade de Tete, viajando de boleia com o seu teclado até chegar à Maputo. Era uma viagem de sonho, mas também de busca de paz espiritual junto dos seus ancestrais. Kaliza, como ele próprio se define é uma mistura de ronga e manyungue. Chegou a Maputo no dia 25 de Dezembro de 1997 com uma cassete na qual tinha gravado parte de seu repertório, entretanto recusada pela VIDISCO. A VIDISCO ficou um mês com a minha cassete e não me deu resposta nenhuma, na altura o director era o João Carreira. Fui a ORION e nem chegaram a receber-me. Não desisti e continuei a trabalhar. Toquei na Igreja Manã com o Chico da Conceição entre 1998 e 2000, onde consegui compor uma boa parte da música gospel que até hoje é cantada naquela igreja. Dessa experiência e da vontade de vencer, Kaliza diz ter tido a sorte de um dia a tocar na Avenida de Angola, aparecer Alexandre Mazuze que, imediatamente, apreciou o seu talento e convidou-lhe a trabalharem juntos. Conta que Alexandre Mazuze tinha na altura muitos contratos nas casas de pasto e, portanto, precisava de alguém para se ocupar de alguns desses contratos. Um deles era no espaço FOFOCA do Sindicato de Jornalistas. Enquanto ele tocava na vila da Moamba, no “Ka Pileca”, eu ficava no SNJ, isso em 2000/2001, onde acabei conhecendo o Nelson Maquile que me ajudou bastante. Aliás, cheguei aos MozPipa pelas mãos dele. Na altura, a banda tinha falta de um teclista com a saída de Carlitos para Portugal, nessa altura a banda tocava quase todas as noites no Tara. Com os MozPipa realizou parte do seu sonho, participando na gravação do último CD da banda que graças ao seu envolvimento acabou sendo intitulado “Ecos do Zambeze”. No disco assina quatro composições (Minha Mãe, Tchisse, Txibua e Papo Furado), curiosamente as que popularizam a colectânea. Porém, diz que não ficou totalmente satisfeito, sobretudo pelo facto de que nos MozPipa era simplesmente um instrumentista (teclista), mas na verdade o que ele gosta e quer é cantar, daí que decidiu abandonar a banda e seguir uma carreira a solo, cujas portas de sucesso foram abertas pelo músico Fernando Luís que lhe deu espaço para se apresentar no África-Bar. Fernando Luís, na altura responsável da produção naquele local, deu-lhe oportunidade para fazer quatro shows. Aproveitando o sucesso das músicas de Oliver Muthukuzi, Kaliza apareceu no África-Bar com o projecto “Kaliza Canta Muthukuzi”. Mas, vendo que o jovem tinha talento e capacidade para sustentar o seu nome, Fernando Luís tirou “ ... Canta Muthukuzi”, ficando apenas Kaliza. E assim lançava-se um nome, um artista de talento, e abriam-se as portas para a concretização de um sonho e a continuidade de uma história de persistência na música. Mas, uma música feita de arte e de uma incessante busca de qualidade, fora do superficial. É essa a aposta de Kaliza.
Alexandre Mazuze no "Gil Vicente" : Esperava-se um pouco mais na noite dos 50 anos
segunda-feira, 7 de Setembro de 2009
Karaboss de Duas Karas
Já está disponíve na loja A Garagem, o mais recente singke do Rapper Moçambicano, Duas Caras, com o título KaraBoss. O single traz muitas surpresas, para além, é claro, do hit KaraBoss, que conta com a participação do G2.Dentro do gXtudio, no dia da criação do KARA BOSS, o novo single do DUAS CARAS com a participação e produção do g2 . . .
Mais informacao aqui no MUNDO DA FAMALizha James - Desentendimento
Guell é uma das mais lindas vozes moçambicanas
Guell é uma das mais lindas vozes moçambicanas, que surge no mercado discográfico pelas mãos de Julio Silva.
O seu album Chikwembo Suca tem sido das musicas mais piratadas e mais ouvidas de norte a Sul de Moçambique.
Leia Mais…Músico Paulo Flores leva "Ex-Combatentes" novo CD da trilogia ao Bela Shopping
A intenção é, segundo fonte da instituição que avançou a informação à Angop, proporcionar a crianças, jovens e adultos a oportunidade de comprar a obra e poderem apreciar as suas músicas, que já fazem sucesso por toda Angola.“O Belas Shopping regozija-se por acolher este astro da música angolana e acredita que será um momento simbólico na carreira do artista dado o volume de pessoas que habitualmente frequentam o espaço”, reforça a fonte.
Gabriela - "A música é algo que está dentro de mim"
A Gabriela lança álbuns de 4 em 4 anos: 2001 – 100% Amor e Paixão, 2005 – Felicidade, e prevê-se que lance seu próximo álbum este ano. Porquê tanto tempo?Ainda não tenho a certeza que o meu próximo álbum saia este ano, embora haja essa previsão. Não me preocupo em fazer músicas num álbum só para preencher o espaço e as pessoas acabem gostando de uma ou duas músicas apenas. A minha preocupação é fazer música boa, fazer tudo para que o CD saia com qualidade, porque sinto que como artistas, nós temos essa responsabilidade.
Em algumas entrevistas ouvimos a Gabriela dizer que este será um verdadeiro “álbum Gabriela”. Porquê?Este será o primeiro álbum verdadeiramente Gabriela, porque traz estilos que me identificam. Nos meus dois álbuns anteriores fiz passada, por influência do Yeyé. O problema é que este não é um estilo que conheço muito bem, o que dificultava a autocrítica. Desta vez optei por fazer algo que eu conheço, que me identifica.
O amor no geral é um dos principais temas da sua música. Podemos esperar isso deste álbum?Este álbum também vai cantar o amor, as músicas que já saíram mostram isso, e as restantes vão seguir a mesma linha em termos de tema. O amor é chave de tudo, é ele que nos faz viver em sociedade, partilhar a casa, o escritório, a carteira na escola, enfim, o amor é a base de tudo.
Dos seus primeiros álbuns e mais recentemente, das músicas Mina na wena, Longa estrada e ainda da sua actuação no MMA, vê-se que a Gabriela é uma artista versátil em termos de estilos musicais. Qual é o estilo que a identifica?Sim, o slow e pop rock são os estilos de que mais gosto, que me identificam, mas eu gosto de explorar também outros estilos. Isso faz também que descubramos nossas potencialidades noutros estilos, que é o que aconteceu comigo em relação ao Jazz. Quando me foi proposto fazer a versão Jazz do “mina na wena” fiquei um pouco surpresa porque era algo novo, mas descobri que este é um dos estilos no qual me sinto a vontade.
O seu vídeo mais recente, Longa estrada, é um tributo a Lurdes Mutola, e carrega uma mensagem muito forte. O que a motivou a gravar essa música?A Lurdes Mutola é uma heroína viva, elevou o nome nosso país e nós não podemos deixar morrer essa lenda. As pessoas não podemos acarinhar as pessoas que elevam o nome do país quando estão no auge. Fiz esta música a pensar também nas pessoas que lutam todos dias para alcançar seus objectivos, e quando estes são alcançados, aparecem logo outros.
A Gabriela tem levado a cabo projectos sociais. Pode nos falar um pouco mais do seu lado de responsabilidade social?Tenho projectos na cadeia feminina, especialmente com as crianças que lá estão. Visito a cadeia nas datas festivas, procuro passar o meu calor, acarinhar, fazer o que posso para lhes dar o meu apoio. Estou também a trabalhar com a Associação de Luta contra o Cancro, e em parceria com a Sra Esperança Mangaze, compramos alguns quadros feitos por crianças com cancro, como forma de ajudar as crianças que estão internadas e precisam de apoio de todos nós.
Para terminar, que mensagem gostaria de deixar para aqueles que acompanham seu trabalho?Começar por agradecer pelo apoio dos que acompanham meu trabalho, porque sem eles eu não seria a Gabriela cantora, e eu prometo continuar a trabalhar para trazer coisas sempre melhores.
Eduardo Paím prepara novo disco com o título "Massambissambi"
Em entrevista à Angop, o também produtor musical esclareceu que o disco comportará doze faixas musicais inéditas, enquanto a colectânea terá dez, incluindo dois temas novos.
Quanto aos estilos que incluirá no novo CD, o instrumentista indicou o kizomba e o semba, como géneros preferidos, porque tenciona que o mesmo seja "parecido ao Eduardo Paím de outros tempos".
Hoje, tenho a obrigação de cumprir não só com minha inspiração, mas também com a sensibilidade dos meus admiradores, disse, argumentando que "quando um musico já definiu estilos não é muito bom que fuja completamente", sublinhou.
Eduardo justificou que as versões de músicas antigas surge para a satisfação dos seus fãs, muitos dos quais não tiveram a oportunidade de obter esses trabalhos.
Quanto a produção, o criador do género kizomba, disse que conta com a colaboração de outros criadores, sem contudo mencionar nomes.
Há uma série de jovens que eu particularmente admiro, reconheceu, e pude trocar impressão técnica com alguns deles para participação na composição, criação, concepção de arranjos ou na composição de letras.
Quanto aos estúdios "EP", sua pertença, o músico fez saber que tem previsto a curto prazo a actualização dos recursos técnicos e a sua reestruturação.
"Estamos a fazer adaptações", disse, antes de reconhecer que na altura eram os únicos, e os trabalhos eram constantes, agora "temos que concorrer com os outros e isto tem que se fazer sentir na qualidade dos trabalhos, porque agora estamos mais virados na caça de talentos”.
General Kambuengu, como também é conhecido nas lides musicais, tem participações em vários discos de artistas nacionais e não só e conquistou três discos de ouro em Portugal, pelos seus sucessos musicais. Tem publicados sete discos, entre os quais “Luanda Minha Banda”, “Do Kaiaia”, “Mugimbos” e “Maruvo na Taça”.
segunda-feira, 31 de Agosto de 2009
Rescaldo do Azagaia e Iveth na Beira
Sentir-me-ia mal se não aceitasse ao convite do meu amigo… para ir conhecer a GARAGEM, a primeira loja oficial do Hip Hop moçambicano, atendendo que durante a metade do mês oitavo estive a justificar o meu pão na cidade das Acácias, Maputo, o que aconteceu no sábado dia 15 de Agosto depois de tomar o meu pequeno-almoço.
A chama da paixão adormecida reacendeu Quando os meus olhos foram obrigados, com gosto, a contemplar a montra sonora repleta de vários álbuns de hip hop cantados em português e diversos consumíveis para tapar a parte superior do corpo que davam cor e brilho àquela humilde casa.
Um CD e uma T-Shirt foram os produtos que os meus bolsos conseguiram me oferecer, depois de convencidos pela técnica dos vendedores que com simpatia tornam da casa um lugar agradável de se estar e comprar.
Despedi-me com a promessa de um dia aí voltar, pois para as bandas do Chiveve iria completar o meu labor, ao que fui sugerido para assistir o espectáculo doas artistas da Cotonete Records, ou seja, do mano AZA e da minha colega de faculdade CBC aka Iveth que iria acontecer no dia 16, no Monte Verde.
Na paragem do Q-400, no Chiveve, sou recebido pelo filho do meu pai que alguns o chamam de Quatro Ases, tendo me abordado, durante a tragectoria para o Hotel, que iria avaliar MC’s num concurso de Hip Hop, a ter lugar numa das casas da terra do Daviz e que estariam lá cuspindo rimas e skills o mano AZA e a mana CBC.
Chega o domingo, sou escorraçado da cama com a luz do sol que teimava em invadir o quarto onde pus a minha alma descansar e com uma chamada do meu mano CC convidando-me a ir assistir o show da CBC que o havia telefonado naquela manha dizendo que já estava na Beira para o efeito.
Uma hora depois da marcada estavamos no local, vindos do caldeirão do Chiveve onde testemunhamos a incompetência dos nossos pontas de lança, ao contribuirem negativamente para que as suas respectivas equipas tivessem mais um ponto cada, sem se quer marcar golos.
Sentimo-nos estranhos quando entramos no local onde seriam cuspidas rimas, pois só haviam adolescentes a espera da hora do crime. Mas, a vontade de ver pela primeira vez a CBC, após se ter desligado dos Beat Cru, passou por cima de qualquer juizo de valores e de qualquer outra coisa que nos pudesse inibir de aí estar.
Chegado o momento esperado, o MC perguntou ao público se poderia chamar a CBC, ao que em coro responderam sim e sem esperar que o MC voltasse a perguntar se poderia ou não chamar a nossa diva de hip hop o público, sem parar, clamou pelo nome gritando sem parar IVETH; IVETH; IVETH.
Com a sua maneira formal de se apresentar, quer na sala de aula a transmitir conhecimentos aos seus pupilos, quer a elaborar pareceres juridicos aos seus superiores, subiu ao palco a menina de voz rouca que interagindo com o público cantou alguma das musícas conhecidas e surprendeu o púbico com o seu novo tema “Rosa Ana Paula”, uma música com que transmitiu ao publico o amor que sente pelo R.A.P.
Mal se despediu do público este sem querer pacientemente ouvir o MC a chamar pelo mano AZA para continuar com a festa clamou pela sua presença, tendo este, depois de um momento de suspense subido ao palco diante de um público que mantém com ele uma relação de irmandade e que conhecem as suas letras do princípio ao fim.
A responsabilidade do mano AZA, perante o seu público acresceu ainda mais, porque deveria “superar” a actuação da CBC, o que tornou-se facilitado graças ao respeito que este MC tem para com o seu público, como o mesmo manifestou, ao se dirigir ao público e dizer que apesar dos mesmos serem aproximadamente de centenas, pareciam milhares, pois os que estavam presentes saíram de casa para ver actuar aqueles dois artistas e não atraídos por mais coisas, o que manifestado pela sua reacção aos beats e rimas.
A simpatia e colaboração do público proporcionaram um bom domingo àqueles artistas que estiveram menos de 10 horas na cidade da Beira.
Espero em breve poder voltar à Garagem e comprar o álbum a CBC. Do mano AZA não espero pelo segundo, pois o primeiro ainda dá para consumir por muito e muitos anos.
O Altruísta.
http://www.asitholemz.blogspot.com/
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Este artigo (e a foto) foi enviado pelo nosso Amigo "O Altruísta", directamente do Chiveve, na cidade da Beira, província de Sofala, a quando da actuacao da Iveth e Azagaia no dia 16 de Agosto, Domingo, no Monte Verde.
Postado por Cotonete Records::.. às 01:18
Se me fecham a porta entro pela janela ... Diz MC Roger
O cantor e compositor MC Roger acaba de lançar a sua mais recente produtora “MC Roger Showbiz”, uma empresa que irá se dedicar à produção de programas televisivos. Trata-se de um projecto que vem se juntar a “MC Roger Initiative”, uma iniciativa de responsabilidade social e sem fins lucrativos que se dedica à advocacia sobre os direitos da criança. Em entrevista ao SAVANA, a propósito do seu mais recente projecto, cuja cerimónia de lançamento contou com a presença do ministro do Turismo, Fernando Sumbana, o cantor descreveu o seu espírito empreendedor como sendo de um artista que encara a arte como sendo um negócio, mas sempre norteado pelo espírito de auto-estima e pelo orgulho de ser moçambicano.
Há muito tempo que deixou de fazer parte do grupo dos artistas que fazem a arte pela arte, pois tende a fazer a arte pelo negócio. Você matou a arte pelo negócio?Eu sempre considerei o meu trabalho artístico como algo que faz parte do mundo do negócio e essa é uma questão que muitas pessoas, incluindo vários artistas e individualidades afins, não conseguem perceber com muita facilidade. Não matei a arte pelo negócio, muito pelo contrário. É a minha visão de que a arte é um negócio que faz sobreviver a própria arte que desenvolvo, pois se não fosse por essa via eu já não existiria como artista. Na indústria musical é preciso fazer a contagem dos discos produzidos do mesmo jeito que se faz a contabilização de outros produtos comerciais e saber qual é o lucro que advém disso. As editoras têm uma visão contabilística dos investimentos que fazem com vista à produção dos discos do artista assim como de elementos de outra natureza com vista à sua promoção, como o caso dos vídeos. Tudo isso é que faz o negócio e não deve ser ignorado pelos artistas que pretendem alcançar o sucesso. A minha recente deslocação ao Brasil, por exemplo, resultou de um alto investimento que deve ser recuperado, ora através de contratos em que forneço a minha imagem a determinadas empresas, assim como das vendas dos meus discos. Durante a minha vida inteira investi na minha carreira, é natural que daí tenha que vir
Mesmo os escritores, ganham dinheiro através dos seus best sellers e melhoram as suas vidas com isso. Não é o facto de eu olhar para a arte como um negócio que fará de mim um artista menor que os outros. Principalmente agora que tenho a minha filha como fonte de inspiração, não gostaria que ela passasse pelas mesmas dificuldades que eu passei para chegar a este estágio. Isto não quer dizer que eu tenha uma vida facilitada, pois quem olha para mim poderá pensar que para mim todas as portas se abrem. Muito pelo contrário, há portas que eu bato e me fecham na cara. Até porque, se queres mesmo saber, a minha teoria é de que se me fecham a porta, eu entro pela janela e se me fecham a janela, eu entro pelo tecto.
É esse, certamente, o espírito que irá impor na equipa com a qual irá trabahar na “MC Roger Showbiz”, a empresa que acaba de criar? É evidente que é esse espírito que irei transmitir aos meus colaboradores. Primeiro é o orgulho de ser moçambicano. Depois é o espírito de auto-estima, porque isso não é um discurso vazio do Presidente da República.
Esta nova iniciativa, a “MC Roger Showbiz”, veio juntar-se a uma outra anterior, neste caso a “MC Roger Initiative”. Por sinal, ambas funcionam no mesmo escritório. Onde é que termina um e começa o outro projecto? Pode-nos dizer em que medida um influencia o outro?É preciso que as pessoas entendam que se trata de duas iniciativas completamente diferentes. Sempre abracei a causa social e continuarei a abraçar, por isso criei, motivado por esse espírito, a “MC Roger Initiative”. Neste projecto tenho o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) como o meu principal parceiro, o que acho que para mim foi uma benção de Deus.
No lançamento da empresa, semana passada, ficámos a saber que há algumas televisões, nacionais e estrangeiras, que já estão interessadas em trabalhar com o vosso projecto. Já é possível revelar os nomes dessas televisões ao público? Não, honestamente. Posso apenas dizer que há televisões de países falantes de língua portuguesa que estão interessadas nos produtos que temos para oferecer. Temos alguns programas-piloto e vai ser uma lufada de ar fresco ver caras novas na televisão. Mas eu próprio também irei apresentar alguns programas, porque para mim isso já é uma paixão antiga, mas também com vista a transmitir a minha experiência aos mais novos. Estou na televisão e no mundo do entretenimento há sensivelmente 18 anos. Minha cara é conhecida em vários países, daí que acho que é necessário continuar a fazer o meu trabalho de apresentador.
Stewart Sukuma & Banda no Festival de Kasumama 2009 Austria , Moorbad Harbach
As incongruências do Mahel
1. Não consigo arranjar um qualificativo capaz de descrever melhor o comportamento negativo que o cantor moçambicano Ivo Mahel tem vindo a demonstrar nos últimos tempos. Mahel é um artista que poucos são os que saberão indicar quaisquer defeitos no seu trabalho artístico. Aliás, eu pessoalmente faço parte do grupo dos que não têm dúvidas de que falar de Mahel é o mesmo que se referir a um artista com créditos firmados no panorama musical moçambicano, graças à alta qualidade das suas composições, assim como ao facto de ser hábil na execução vocal.Com efeito, entre a arte que desenvolve e o discurso com que o artista defende o seu trabalho vai aí uma grande distância.
Eu cá por mim, devo confessar, tenho andado a preferir mais ouvir as suas músicas do que ouvir o Mahel a falar das suas próprias músicas, pois quando fala parece mentir com a mesma habilidade com que canta. Em entrevista ao semanário Magazine Independente, conduzida pelo jornalista Azael Moiana, há sensivelmente seis meses, Mahel não fez outra coisa senão mentir, contar histórias falsas. Mas a verdade, já dizia o procurador nos seus tempos de juiz, a verdade é como o caju, não tarda muito para que ela amadureça e caia por si própria. É que, para sermos sinceros, não são todos os dias que um artista consegue uma página inteira num jornal, para falar de si e dos seus projectos.
Mahel usou mal a oportunidade que lhe foi concedida. Aliás, tem estado a fazer um mau uso do espaço público que lhe tem sido dado pelos órgãos de comunicação social.Entre o que o músico disse ao Magazine Independente há sensivelmente seis meses e o que andou a dizer nas últimas semanas à Televisão Independente de Moçambique, quando entrevistado por Sérgio Faife no programa “Na Primeira Pessoa”, vai uma enorme distância. Na verdade, não sei mais em qual das suas declarações devo acreditar, se naquelas antigas ou então nestas últimas.
Na entrevista ao Magazine, Mahel já nos tinha avisado sobre o efeito das suas próprias mentiras. Quando o jornalista perguntou sobre aquela famosa notícia segundo a qual Mahel ia posar nu para uma revista Play Boy, o músico respondeu que na verdade tratou-se de uma invenção sua, um golpe de marketing que nas suas palavras funcionou muito bem na altura pois elevou ainda mais a sua carreira. Como dar crédito a uma pessoa que volta e meia vem-nos dizer que a notícia que nos fez divulgar não passa de uma pura invenção, de uma pura mentira?
Mesmo assim, o jornalista parece não ter duvidado do que Mahel continuaria a dizer depois de ter dito que da outra vez mentiu, tendo prosseguido com a entrevista, insensível do golpe de marketing que poderia estar na mesma a sofrer e que de novo os leitores sofreriam.
Mahel deve saber que está a lidar com jornalistas, profissionais de comunicação social e tentar no máximo evitar justificativas dessas, pois o marketing com que tanto se defende não se faz com mentiras tão feias quanto essas. Aliás, não se percebe muito bem por que razão uma mentira tão feia quanto essa – de querer posar nu para uma revista Play Boy – iria elevar ainda mais o seu ego artístico. O que mais me intriga é que o artista mente com um discurso tão polido que até passa despercebido aos menos avisados.
Questionado sobre os seus projectos do futuro, Mahel manifestou a sua insatisfação com Moçambique, tendo afirmado que estava de malas aviadas para a Inglaterra onde seguirá sua carreira musical. A pergunta que o jornalista já não fez, e que se calhar era suposto que a fizesse (me perdoa o Azael), era se essa pretensão de Mahel de deixar o país para viver na Inglaterra não seria mais um golpe de marketing à americana que o artista estaria a dar mais uma vez para granjear simpatias junto dos seus. (O Marconi Ferraço, o da telenovela da noite, diz categoricamente que há tolos que ficam à espera de ser enganados e que alguém tem que prestar-lhes esse favor). Mahel anda aqui a mentir. A entreter-nos. Aliás, nas suas últimas entrevistas – como há poucas semanas a Sérgio Faife – Mahel já não fala mais da sua pretensão de deixar o país para ir viver na Inglaterra ou eu sei lá que outro país. Sérgio Faife, se calhar por não ser propriamente um jornalista mas sim um animador televisivo e “promotor de estrelas”, não fez uma entrevista que visava saber a verdade, por isso não chegou a se dar ao trabalho de perguntar ao nosso artista das mentiras se continuava com aquela sua ideia de abandonar o país.
Mas mesmo não tendo sido perguntado, se continuava a ser sua pretensão abandonar o país, Mahel devia ter dito a plenos pulmões, como fez ao Magazine Independente. Muito pelo contrário, o nosso artista falou de outros objectivos, outros sonhos. Na entrevista com o Faife, falou do “bom trabalho” que tem vindo a ser feito pela mCel, empresa de telefonia móvel da qual até muito bem pouco tempo era um crítico assumido. Mahel agora elogiou o facto da empresa celebrar contratos com artistas como Lizha James e Stewart Sukuma, como quem em muito pouco tempo voltou a morrer de amores pela Pátria desamada. Mahel já não fala mais de partir para lugares além mar. (“Ampla e aberta é a porta do mar” – Mia Couto, in “Raízes de Orvalho”). Aliás, Mahel manifesta agora a sua vontade de também poder ser contratado pela mCel, ele e outros artistas. Pelo que, ao que tudo indica, ouvir Mahel ainda vai doer.
2. A outra parte do discurso de Mahel que nos deixa com a boca aberta, tem a ver com o facto de se declarar um artista realista, justificando-se, pois, pelas suas músicas que alegadamente abordam coisas reais da sua vida e da sociedade. Não acredito muito que a verdade poética se manifesta pela exposição plena da sua vida íntima e privada para o consumo da sociedade. Realismo não é bem isso. Os problemas que Mahel teve com a sua ex-consorte – a ponto de cantar que “filho que é meu não é meu” – dizem respeito à sua vida privada, íntima, a nós não nos interessa para nada, tanto mais que se tiverem que ser discutidos em tribunal, vai ser à porta fechada. Pertence à privacidade familiar. Por outro lado, tanto o seu filho, quanto a sua ex-consorte, não têm direito de ver as suas vidas íntimas e privadas expostas publicamente como acontece no seu discurso e na poesia das suas músicas. (Outro dia, o MC Roger, homem de marketing por excelência, disse aqui uma coisa interessante: “A minha esposa não precisa de ser exposta apenas porque eu sou uma figura pública, pois ela tem a sua própria privacidade”. Uma lição interessante esta!).
Ser um artista realista, tal como Mahel diz que é, não é falar, falar e falar sem ter em conta que onde termina a liberdade de um começa a liberdade de outro. Isto porque, se bem analisadas as coisas, Mahel poderá estar a atentar contra a privacidade dos seus.
3. Mais não disse.
segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
Chico António - “o mais velho sempre sabe”
Chico Antonio no Gil Vicente
Chico António é uma figura que dispensa qualquer tipo de apresentação quando se fala de música moçambicana. Iniciou a sua carreira nos meados da decada 60 e destacou-se nos anos 80. Em 1990 ganhou o prémio Rádio França Internacional (RFI) com o qual teve direito a dar continuidade com estudos ligados a música. Com passagem por vários países de África, América e Europa, o entrevistado desta semana vai nos falar da sua trajectória artística, assim como das suas realizações como profissional de música desde que se iniciou até aos dias que correm.
Quando é que entra no mundo da música?
Entrei no mundo da música quando sai de Magude para Lourenço Marques em 1962. Durante dois anos vivi como menino de rua e em 1964, uma familia de portugueses acolheu-me e pôs-me a estudar na Missão José onde comecei realmente a ser músico. Integrei num grupo de 60 pessoas que cantava na igreja e eu era o solista. Mais tarde, integrei numa banda de 70 pessoas. Foi nesta banda que aprendo a tocar trompete, solfejo, canto, leitura de música ao mesmo tempo que fazia os meus estudos primários.
Como conciliava os estudos com a música?
Bom, é importante dizer que entrei para a Missão com 8 anos e fiquei lá durante 12 anos. Durante periodo em que estive na Missão, tinha duas actividades básicas, os estudos e a música, e é isso que resumia o meu dia a dia, pois era um processo contínuo e combinado.
Depois de terminar os estudos na missão, o que se seguiu?
Em 1978, havia um grupo de jovens que tocava em casamentos, festas e bailes. Este grupo tinha uma coisa muito curiosa, porque para além de tocar nos locais a que me referí, tocava também na igreja. Os padres emprestavam-lhes aparelhagem e em troca tinham que tocar nos cultos, era uma espécie de troca de serviços. Então, depois de concluir o nono ano de química, entrei para o grupo ABC78.
Como foi a sua integração no grupo ABC78?
Foi muito feliz, porque acabava de sair de um colégio de padres e integrei-me neste grupo que tinha um certo “relacionamento” com a igreja. O ABC78 também alugava aparelhagem da igreja, no entanto, não estava muito distante do ambiente onde crescí.
Dentro do ABC78, quais foram as suas realizações?
Um ano depois de integrar o grupo, passamos a tocar no SANZALA. Nesse período, como era uma das poucas pessoas que tocava trompete aqui em Maputo, recebia convites de muitos músicos. Posso citar exemplos dos grupos como os de Fani Mfumo, Xidiminguane e Wazimbo.
Qual era a razão de “escassez” de trompetistas?
Trompete, saxofone, clarinete e outros instrumentos de sopro, eram aprendidos em bandas e a banda que existia era a Militar Portuguesa e o resto eram os jovens que saiam dos colégios dos padres. Havia muitas pessoas que sabiam tocar, mas o facto é que a maioria tinha outras profissões e escolheram outras maneiras de viver, deixando desta forma a carreira musical para trás. Estes elementos é que levaram a carrência de executores destes instrumentos.
Nos anos 80 começa a tocar em palcos de luxo, como é o caso do Hotel Polana, como foi essa experiência?
Foi muito boa, tocava no grupo Faz Força, que pertencia a um baterista que infelizmente perdeu a vida recentemente, esta banda levou-me a uma zona de elite. Porque tocar no Hotel Polana era diferente de tocar numa boate. O nível de exigência era outro. Aprendi a dominar a minha voz e o meu próprio instrumento. Foi depois deste grupo que passei para o grupo 1 Experimental e ali estava o André Cabaço, Sérgio Gonçalves, Paulinho Chembene, Totozinho, que já faleceu, e faziamos frente ao grupo RM em termos de comparação dos maiores grupos da época. Com este grupo comecei a viajar para representar Moçambique em vários eventos internacionais.
E como entra para o Grupo RM?
Entrei no Grupo RM a convite de Américo Xavier e parmeneci no mesmo durante 10 anos. Neste grupo aprendi muito porque encontrei músicos bastante experientes, falo de Alexandre Langa, Wazimbo, Pedro Ben, José Mucavel, José Guimarães e Sox. No meio deste grupo, fiz parte do projecto marrabenta dirigido por Aurélio Lebon, para além de integrar o projecto Orquestra Marabenta, que também foi uma outra experiência marcante, uma vez que envolvia vários músicos como é o caso de Stewart, Lidia Mate, Mingas, Dulce, dentre outros.
O que te marcou no grupo RM?
Como é do conhecimento geral, o grupo RM foi criado para representar Moçambique, tinha apoio e fundos provenientes do governo. A gravação do disco com a Orquestra Marrabenta foi uma experiência interessante. Este disco foi um dos poucos que a Europa conhece tirando alguns casos de músicos que actuavam a solo. O facto de integrar um projecto que representava o país é que teve grande peso em mim.
Do grupo RM o que seguiu?
Bom, quando vários membros fundadores deste grupo desvincularam-se, fiquei a trabalhar com músicos jovens que acabavam de entrar para o grupo. A Mingas, por exemplo, era um talento recém descoberto e a sua voz despertava muita atenção do público. Juntamente com outros poucos que tinham restado, tivemos que acordar e dar uma nova dinâmica a música. Optamos em criar coisas novas, uma vez que era muito dificil continuar com o estilo dos fundadores do grupo. Neste contexto, trabalhamos e o resultado foi o prémio Baila Maria e colocamos o grupo no topo. Com o prémio, tivemos direito a gravar um CD e eu tive a bolsa para estudar técnica de estúdio de gravação, aranjos, técnica básica de piano e ainda conseguí desenrascar um lugar para a Mingas ir estudar canto com a vocalista da banda Kassav. Depois daí, comecei a trabalhar como freelancer até hoje.
Com toda experiência adquirida no mundo da música, porque é que ainda não tem nenhum CD a solo?
Bom, é meio complicado porque a competividade está dificil e, para além disso, as condições para gravar são escassas, faltam estúdios sérios, com isso não estou a dizer que em Moçambique não ha estúdios. Mas ainda não encontrei um para o que almejo.
Na conjutura actual, acha que há espaço para os músicos da velha geração?
Eu não gosto muito dessa separação, porque não há velha nem nova geração. Essa separação é muito pejorativa e isso não edifica a classe dos músicos. Você não vai chamar teu avô de madala. É mais correcto chama-lo avô. Todos precisamos um do outro, o mais novo sobretudo, precisa de aprender dos mais velhos porque não estou a ver o mais velho a aprender dos mais novos. Para mim, isso é utopia porque o mais velho tem sempre mais por transmitir ao mais novos e eu não sei o que os mais novos podem transmitir em termos práticos se não forem apenas coisas de coração. Acho que a nova geração sempre tem que existir porque nunca vi a velha.
Em relação aos instrumentos de sopro acha que hoje há mudanças significativas em relação aos anos 70?
Penso que o cenário continua o mesmo dos anos 70, não ha músicos que executam instrumentos de sopro em Moçambique, para além da banda militar e a banda da policia. Temos pouquíssimos casos de alguns jovens que vão para Africa do Sul para aprender saxofone porque aqui não há escolas de instrumentos de orquestra de bandas. Isso cria uma lacuna muito grande porque, se formos a ver, a nossa geração aprendia desde pequenino e com 25 anos já tinha um bom domínio do instrumento.
segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
We Run Maputo - Magnezia
Magnesia - Ja chegamos boy
Inaugurada loja de Hiphop, A Garagem
Apresentação de Miss Zav na 2ª,4ª e 5ª Gala do Dança dos Artistas Vodacom
Albertina Pascoal Embaixadora de Boa Vontade
Albertina Pascoal é uma das lindas vozes da Radio Moçambique e Embaixadora de Boa Vontade.O seu trabalho é sempre dedicado aos problemas sociais de Moçambique.
Guilherme Silva, a estrela moçambicana que brilha no Brazil
Guilherme Silva no Brasil
Guilherme Silva deixou Moçambique e desembarcou no Brazil há cerca de 6 anos, para uma apresentação no clube Oasis, ao que tudo indica que o artista, com uma carreira reconhecida internacionalmente, caiu de amores e apaixonou-se pela terra do Pelé, hoje, pode-se afirmar que o Show Man como é apelidado nos circuitos muisicais, escolheu Fortaleza e fez dela seu lar. Seu estilo versatil e contagiante criaram facilidades para que rapidamente, conquistasse um público fiel que curte a sua bela voz e seu ritimo animado.
Quando é que inicia a sua carreira de musico?
Iniciei a minha carreira na decada de 80, na altura, desloquei-me para a vizinha Africa do Sul onde tocava em restaurantes e bares de renome.
A sua técnica da-nos a impressão de estares a ser acompanhado por uma banda. Quer nos falar um pouco dela?
A minha técnica é pouco comum no mundo, uso uma bateria eletrónica sofisticada que é controlada por uma pedaleira-teclado que faz o baixo, executo os acordes de piano com os pés, ao mesmo tempo que toco guitarra harmonica, procurando dar o meu melhor no canto para alegrar os meus fãs e todos que acorrem aos meus espetaculos.
Como foi a sua integração na Africa do Sul, uma vez que vivia-se ainda no regime do apartheid?
A minha integração não foi fácil, sabe-se que as relações entre brancos e pretos eram somente de serventia, para o meu caso como musico e negro, tive que em várias circunstancias, após terminar os meus shows, dirigir-me a cozinha e não para junto dos clientes “brancos”. Contudo, não desisiti de fazer o meu trabalho, continuei a lutar e so foi dessa forma que consegui conquistar um lugar cimeiro nas várias casas de pasto por onde passava e graças ao meu talento e trabalho, consegui superar as bareiras raciaias.
Para além da Africa do Sul, sabemos que seguiu viagem para Europa, como foi esse percurso?
Da Africa do Sul, embarquei para Portugal, terra onde fui bem acolhido. Cantei e encantei para além de participar em campanhas politicas de algumas figuras de destaque daquele país, como é o caso do actual presidente Cavaco Silva. Mas Portugal não respondia as minhas aspirações e desta forma, optei pelo país Leão e Castela (Espanha), onde fui considerado o melhor músico Intertainer da Costa Blanca. Este feito valeu-me três Oscar’s musicais em Benidorm (Espanha), tendo ainda sido considerado o Melhor Show Man entre 1989 a 1994, e fui finalista no festival da canção de Benidorm em 1994 onde partilhei o palco com Juan Luis Guerra vencedor do Gremmy Latino 2007.
Qual foi a sensação de regressar para Moçambique?
Positiva! Voltar a casa é sempre agradavel, pois para além de rever a familia e amigos, continuei firme no meu trabalho. Gravei vários cd’s e participei em programas de televisão, tendo ainda criado uma casa de pasto onde tocava aos fins de semana. Tinha o meu proprio estúdio de música onde promovia novos talentos que hoje são referência na música jovem, como são os casos de Doppaz, Neyma, Ziqo, entre outros.
Como é que foi parar ao Brasil?
Fui convidado a participar da inauguração do Hotel Oasis na Fortaleza e, por força do destino, aliado a admiração que o publico e os gestores daquele estabelecimento turistico sente por mim, perguntaram se eu não queria ficar para fazer parte da equipe que iria animar o local, ao que respondi positivamente, e hoje, volvidos seis anos tornei-me na principal estrela do Ceara, conquistei os cearenses e por consequência, o povo brasileiro. Prova disso tem sido o vasto leque de participações que venho tendo nos concertos dos grandes do Brasil, como é o caso da Alcione, a rainha do Samba, Roberto Carlos entre outros.
Sente-se realizado profissionalmente?
Bom, realizado não, mas sinto-me orgulhoso pelo meu trabalho, não é por acaso que se diz que é chic ter-me num concerto, pois ha pessoas que tocariam com figuras como Alcione mesmo sem cobrar nenhum caché, o que não é o meu caso. Já estive presente em quatro anos consecutivos no Festival dos Vinhos da Guramiranda, fui eleito no ano passado como a melhor atracção do evento.
Quais são os teus projectos para o futuro?
Estou a poucos passos de me afrimar como um World Music e tudo estou a fazer nesse sentido. Já tenho contactos com a Castle e outras empresas de renome que irão patrocinar a minha participação no mundial de futebol 2010 a realizar-se na Africa do Sul. Tenho uma grande bagagem na arena musical que fui adquirindo em toda minha trajectoria como artista e é chegado o momento de saltar para a categoria “A” da musica.
Qual é a sua avaliação do estagio actual da musica moçambicana?
Por incrivel que pareça, estou muito surpreso com a forma como a musica moçambicana tem evoluido. Esta num nivel aceitavel e sinto-me satisfeito pelo facto de haver muitas inovações, sobretudo na musica tocada pela nova geração e ao mesmo tempo triste, visto que as instituições que velam pela área cultural não disponibilizam nenhum apoio aos artistas e nem criam condições para que as crianças, que são os continuadores da patria, tenham acesso a escolas apropriadas para desenvolverem as suas capacidades criativas e talento.
Qual é a recomendação que deixa para os musicos nacionais?
Para os musicos que ainda tocam na base do “dó” e “ré”, julgo que ainda é tempo de procurar inovar, porque nessa base, não vejo como podem tornar-se competetivos a nivel internacional, há uma necessidade de se investigar mais os acordes musicais, o tempo do dó e ré já passou, e se um musico quer se afirmar no panorama internacional, tem que entrar com um produto de qualidade e deixar de tocar arroz com feijão.
Hélder Samo Gudo
segunda-feira, 3 de Agosto de 2009
Ivan Mazuze em disco
Ivan Mazuze em Jam Session no Gil Vicente com Moreira Chonguiça
Leia Mais…Dimas - "Há muito que fazer para desenvolver a nossa música"
Da guitarra de lata a convencional, como ocorreu este processo?
Como aprendeu a tocar?
Hoje Dimas para além de músico é empresario, de onde surge esta ideia?
Qual é a avaliação que faz do estágio actual da música moçambicana?
Marllen ft Dama do Bling - Preta Negra
Video de LCD ft F Kay - Niggas Desistam
Tony Django acredita que os artistas precisam ser representados
O JOVEM músico Tony Django, vocalista da banda Kapa Dêch e que em noites de canícula e de frio aparece em diversas casas de pasto com uma turma de amigos a realizar concertos, bem como cantando para a sua banda de coração, fala da necessidade de os artistas começarem a pensar em ter quem lhes represente. Esta acção é vista por ele como uma mais-valia, pois o artista deixaria de pensar em que coisas que não estão intrinsecamente ligadas a ele para se dedicar mais à música, aos espectáculos que se pretende que sejam de grande qualidade, e também à composição.Por exemplo, diz, os músicos precisam de ter representação para que possam ter tempo de se organizar e ter ainda poder ensaiar, discutindo alguns pormenores técnicos com os seus colegas, relacionados, ou não, com o espectáculo que vai dar.
“O que se assiste hoje é que o músico vai falar do espectáculo, negoceia cachés e tem que carregar os seus instrumentos e arranjar carro para o transportar. Como é que queremos que um artista chegue cedo ao local do evento se o promotor do mesmo não se preocupa com os detalhes inerentes à vida do músico. E quantas vezes os músicos vêm-se obrigados a arranjar-se na boleia de um amigo ou ‘entrincheirar-se’ nos chapas?”, questiona.
Tony, que é um dos vocalistas mais destacados da sua geração, diz ainda que não fala de um nível de agenciamento, por ainda estar-se longe disso, embora já comecem a surgir sinais que indicam isso, mas de uma organização que permita aliviar o músico de transtornos que, à partida, podem parecer pequenos, mas com uma influência muito grande no final da acção que ele vai fazer. “Com uma representação, o músico passaria a ficar um pouco mais liberto e com tempo para cuidar da componente musical e não andar a carregar violas e ainda conduzir carros”, comenta.
Tony Django entende que, para lá de uma produção musical de grande qualidade, o sucesso do artista faz-se também sentir com o seu bom espectáculo no palco e a sua excelente performance, com os aplausos incontidos do público.
“Mas todo este exercício deve começar nos bastidores, na produção e na forma como os organizadores dos eventos olham o músico, como o tratam. Este trabalho deve começar na forma como os empresários olham para o músico, pois, caso contrário, nunca chegaremos a lado nenhum”, sublinha.
PAGAR IMPOSTOS
O vocalista, que já fez dueto com o conceituado músico Ismaelo Lo, fala dos impostos que os músicos e os organizadores dos espectáculos devem pagar, da importância de não se fugir ao fisco, pois isso traz riscos, desvantagens e toda uma desmesura que não abona ninguém.
“Para que não sejamos apanhados por situações anómalas e ficarmos a pensar que estamos a ser perseguidos é melhor começarmos a fazer as coisas dentro daquilo que está estabelecido, das normas estatuídas. Esta é uma situação real a que não podemos e nem devemos fugir dela”.
Diz ainda que: “penso que o nosso trabalho deve ser regrado. Se eu canto e ganho dinheiro, então tenho que pagar impostos, mas também é obrigação de quem me faz cantar pagar esses impostos, como forma de encontrarmos um estímulo. E ainda, àquele a quem pagamos os impostos cabe a responsabilidade de nos ajudar a criar um ambiente de trabalho são e profícuo. Esta é a minha maneira de ver o mundo no qual estou inserido e estas são as minhas opiniões”. Na sua perspectiva, se cada um se dedicar um pouco e tecer as suas opiniões conseguir-se-á moldar a sociedade. E ela será como os mesmos cidadãos a desejam que seja.
“Das várias opiniões iremos colher o essencial para construirmos o nosso mundo artístico e belo”, comenta.
TONY E AMIGOS... PARA NOITES FINAS
Tony Django, para além da sua banda, com quem já trilhou o mundo e roçou palcos que deixaram extasiados públicos e públicos, sobretudo os amantes da boa música, tem aparecido com outros jovens instrumentistas que são da sua enseada, como são os casos de Kaliza, Pipas, Iva Chitsondzo, Bernardo Domingos, Eduardo, Jorgito e Amone. E pelos sítios por onde passam – tal como acontece com os Kapa Dêch – deixam saudades.
Em entrevista à nossa Reportagem, Tony Django diz que vê na frequência de espectáculos que realiza algo de bom, e isso é sinal de que há quem acompanha a sua carreira.
“Significa que as pessoas estão a acompanhar o meu trabalho e, certamente, a gostar do esforço que faço para que ele tenha o mínimo de qualidade”, anota.
Mas isso, adianta, tem também a ver com épocas, pois sabe-se que chega um período em que as pessoas querem actuar e não conseguem ter espaço.
Por outro lado, a frequência de realização de espectáculos é vista por Tony Django como resultado de um crescente número de espaços de música na cidade de Maputo, embora estes sejam mais casas de pasto.
Aliás, ele diz que é nas casas de pasto onde os músicos continuam a ter os seus rendimentos. Cita o caso de espaços musicais como Bar dos Amigos, África-Bar, Gil Vicente, Xima, Vila-Sabié, Khuwana, Matola-Jazz que tem tido uma programação regular levando para lá músicos que vão animar a plateia em noites de canícula e de frio.
“Os músicos giram muito e sabe-se que em Maputo, contrariamente ao que se pode pensar, ainda não existem muitas bandas organizadas e a música que se pretende tocar a noite é de animação e própria dos fins-de-semana. Quando falo de bandas organizadas refiro-me àquelas que estão especializadas para tocar música para a noite, música diversificada e de animação.
Temos muitos grupos de música especializada, com destaque para o jazz, o blues, o afro e ou a marrabenta, até mesmo o rock. Mas estes estilos musicais têm os seus próprios espaços, a sua hora e o seu público”, diz, anotando que quando os grupos empresariais começaram a explorar as províncias, montando infra-estruturas adequadas e capazes de acolher vários espectáculos musicais os artistas vão rodar o país todo, facto que permitirá o desenvolvimento da música e o melhoramento das condições de vida dos músicos, pois eles irão ganhar dinheiro.
“Isso vai nos dar muito trabalho em curto espaço de tempo e isso significará dinheiro. Mas, para que isso aconteça é preciso que as coisas estejam organizadas”, diz. E sublinha que a respectiva organização não deve vir somente dos músicos ou dos empresários. Deve ser uma organização colectiva.
A título de exemplo, Tony Django vai cantar esta sexta-feira ao lado do guitarrista, no espaço Khuwana, num concerto que é repetição do que aconteceu semana passada. Este espectáculo acontece a pedido do público que gostou da prestação dos artistas que actuaram sexta-feira última.
Francisco Manjate



























